quinta-feira, 21 de março de 2019

Orfeu e Calais (Dia Mundial da Poesia)

'Orfeu', de Franz von Stuck (1891)
Hoje, dia 21 de março, é o Dia Mundial da Poesia. Então, aproveitando o gancho do artigo anterior sobre a homoteose zodiacal do signo de Áries, onde mencionei diversos amores entre os argonautas, trouxe para cá um poema grego antigo sobre o amor de Orfeu e Calais, escrito pelo poeta Fânocles.

Fânocles (Phanocles) foi um poeta grego que atuou provavelmente na época de Alexandre Magno. Entre seus temas preferidos estava a pederastia, a expressão mais comum de amor entre homens na Grécia Antiga.

Um longo fragmento de um poema seu descreve o amor de Orfeu pelo jovem Calais, filho de Bóreas (o Vento Norte), e sua subsequente morte nas mãos das mulheres da Trácia. Esse é considerado um dos melhores exemplos da poesia elegíaca grega. (Elegia é uma poesia triste, melancólica ou complacente, especialmente composta como música para funeral, ou um lamento de morte.)

AVISO: A tradução publicada a seguir foi feita pelo dono deste blog. Então, por favor, não publiquem esta tradução em qualquer outro lugar sem a referência a esta página. O texto original, em grego e em inglês, vocês encontram aqui.

Espero que apreciem.

'Orfeu Encantando os Animais', de Gustave Surand (1860-1937)

Ou como Orfeu trácio, filho de Eagro,
amava Calaïs, filho de Bóreascom todo o seu coração
e muitas vezes ele se sentava nos bosques sombrios cantando
o desejo do seu coração; nem seu espírito estava em paz,
mas sempre sua alma se consumia de insônia
quando olhava para o belo Calaïs.

Mas as mulheres bístones de engenhos malignos
mataram Orfeu, tendo lançado sobre ele suas espadas afiadas,
porque ele foi o primeiro a revelar os amores masculinos
entre os trácios e não recomendava o amor das mulheres.

As mulheres cortaram a cabeça dele com o bronze
e logo a jogaram no mar com sua lira trácia de tartaruga,
prendendo-as com um prego, para que ambas fossem
carregadas no mar, encharcadas pelas ondas cinzentas.

O mar tenro as trouxe para pousar na sagrada Lesbos [...]
e assim o soar claro da lira dominava o mar,
as ilhas e as praias encharcadas de mar,
onde os homens deram à cabeça de Orfeu seus ritos fúnebres
e no sepulcro puseram a lira brilhante, que costumava
persuadir até as rochas mudas e a odiosa água de Fórcis.

Daquele dia em diante, canções e adoráveis ​​liras
tocaram na ilha e é a mais melodiosa de todas as ilhas.

Quanto aos belicosos homens trácios,
quando tomaram conhecimento dos feitos selvagens
das mulheres e a dor terrível que havia se infundido
em todos eles, começaram o costume de tatuar suas esposas,
de modo que, tendo em sua carne sinais de azul-escuro,
não esqueceriam seu odioso assassinato.

E mesmo hoje, as mulheres prestam reparações
ao morto Orfeu, por causa desse pecado.

Os boréadas Calais e Zethes perseguindo as harpias,
em 'A Perseguição das Harpias', de Erasmus Quellinus II (1630)

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Calendário da Lua