sábado, 11 de novembro de 2017

LGBTs nas mitologias africanas


Ao contrário do que muita gente pode imaginar, há uma grande presença de temas LGBTs nas mitologias da África, o continente negro. Vamos conhecer um pouco?

África Ocidental, Iorubás e Daomeanos

Mawu-Lisa
(desconheço o/a artista)
A deidade criadora celestial da mitologia do Daomé (atual Benim) é Mawu-Lisa, formada por uma fusão dos irmãos gêmeos divinos Lisa (o deus Lua) e Mawa (a deusa Sol). Em forma combinada, ele ou ela se apresentava como intersexual ou transgênero (com mudança de gênero). Outros deuses andróginos incluem Nana Buluku, a "Grande Mãe" que deu à luz Lisa e Mawa e criou o universo e contém essências masculinas e femininas.

O povo Akan de Gana tem um panteão de deuses que inclui personificações de corpos celestes. Essa personificação se manifesta como deidades andróginas ou transgêneras, e incluem Abrao (Jupiter), Aku (Mercúrio), e Awo (Lua).

Possessão por espíritos é parte integrante das tradições iorubás e outras tradições espirituais africanas. Os possuídos são geralmente mulheres, mas também podem ser homens, e ambos os sexos são considerados como "noiva" da deidade que os possui. A linguagem usada para descrever a possessão tem uma conotação sexual e violenta, mas, ao contrário das religiões americanas derivadas da iorubá, não existe nenhum vínculo entre possessão e atividade homossexual ou de variação de gênero na vida cotidiana.

Mwari,
também conhecido como Khuzwane

Zimbabuanos

A mitologia do povo Shona do Zimbábue é governada por um Deus criador andrógino chamado Mwari, que ocasionalmente se separa em aspectos masculinos e femininos distintos.

Egípcios

(Leia mais artigos em Egito)
Poucos registros de homossexualidade existem na mitologia egípcia e as obras escritas e pictóricas são reticentes na representação das sexualidades. As fontes que existem indicam que as relações homossexuais eram consideradas negativamente e que o sexo penetrativo era um ato agressivo de dominação e poder, vergonhoso para o receptor (passivo), uma visão comum na área da bacia do Mediterrâneo.

Um longo artigo já foi postado aqui sobre a relação homossexual entre os deuses Hórus e Set (confiram aqui), mas ainda há outras histórias a se considerar.

A fertilidade humana era um aspecto importante da mitologia egípcia, e muitas vezes se entrelaçava com a fertilidade das plantações fornecida pela inundação anual do rio Nilo. Essa conexão era mostrada na iconografia de deuses do Nilo, como Hapy, deus do rio Nilo, e Wadj-wer, deus do Delta do Nilo, que, embora fossem homens, eram retratados com atributos femininos, como seios, simbolizando a fertilidade que o rio fornece.


Fonte: Wikipedia (em inglês)

As mitologias africanas (ao menos as citadas aqui), como vimos, trazem uma rica presença andrógina e transgênera entre suas principais divindades, mas infelizmente é de se espantar como atualmente a África é uma das regiões mais perigosas do mundo para uma pessoa LGBT viver.

Bem, futuramente algumas dessas divindades terão tópicos especiais contando mais sobre elas, e também teremos artigos sobre a presença LGBT nas mitologias da diáspora africana em religiões espalhadas por toda a América, como o Candomblé e a Umbanda no Brasil. Só depende do interesse de vocês através dos comentários. Até a volta!


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