Androginia: mitos, lendas e simbologia
![]() |
| Andrógino, de Leonardo da Vinci |
Etimologia
Androginia é um substantivo que começou a ser usado por volta de 1850, nominalizando o adjetivo "andrógino(a)". O adjetivo data do início do século XVII e é ele próprio derivado do francês antigo (séc. XIV) e do inglês antigo (cerca de 1550) "androgyne". Por fim, os termos são derivados do grego antigo ἀνδρόγυνος, de ἀνήρ, ἀνδρ- (anér, andr-, "homem") e γυνή (gunē, gyné, "mulher") através do latim androgynus.
Na cultura
Androginia entre humanos – física, psicológica e cultural – é atestada desde a mais remota antiguidade e por culturas de todo o planeta. O antigo mito grego de Hermafrodito e Salmácis, duas divindades fundidas num único ser imortal, proveu um quadro de referência usado na cultura ocidental por séculos.
Androginia e homossexualidade são vistos no "Simpósio" de Platão em um mito que Aristófanes conta para a audiência. As pessoas eram criaturas esféricas, com dois corpos ligados pelas costas. Elas tinham três sexos: o povo homem-homem que descendia do Sol, o povo mulher-mulher que descendia da Terra, e o povo homem-mulher que vinha da Lua; este último representava o par andrógino. Esse povo esférico tentou sobrepujar os deuses e falharam. Zeus então decidiu cortá-los ao meio e Apolo reparou os cortes que resultaram disso, deixando o umbigo como lembrete de não desafiarem os deuses novamente. Se eles desafiassem, Zeus os cortaria em dois de novo para que ficassem pulando numa perna só. Platão atesta em seu trabalho que a homossexualidade (masculina ou feminina) não é vergonhosa. Essa é uma das referências escritas mais antigas da androginia. Outras referências antigas incluem a astronomia, onde andrógino era o nome dado a planetas que eram às vezes quentes e às vezes frios.
![]() |
| "Simpósio de Platão", de Anselm Feuerbach (1869) |
A compreensão da androginia pelo esoterismo ocidental continuou dentro da Idade Moderna. Uma antologia de 1550 "De Alchemia" ("Sobre a Alquimia") incluía o influente "Rosário dos Filósofos", que descreve o casamento sagrado do princípio masculino (Sol) com o princípio feminino (Lua) produzindo o "Andrógino Divino", uma representação das crenças alquímicas herméticas no dualismo, transformação e perfeição transcendental da união dos opostos.
O simbolismo e o significado da androginia era uma preocupação central do místico alemão Jakob Böhme e do filósofo sueco Emanuel Swedenborg. O conceito filosófico do "Andrógino Universal" (ou "Hermafrodita Universal") – uma perfeita mescla dos sexos que antecede o atual uso distorcido da palavra e/ou era a utopia desta – também tinha um papel central na doutrina Rosa-Cruz e em tradições filosóficas como o Swedenborgianismo e a Teosofia. O arquiteto do século XX Claude Fayette Bragdon expressava o conceito matematicamente como um quadrado mágico, usando-o como bloco de construção em muitos dos seus mais notáveis edifícios.
Símbolos e Iconografia
No mundo antigo e no medieval, androginia e hermafroditas eram representados na arte pelo Caduceu, um bastão de poder transformativo na antiga mitologia greco-romana. Uma versão diz que o Caduceu foi criado por Tirésias e representa sua transformação em mulher pela Deusa Hera como punição por atacar um par de cobras se acasalando. O Caduceu foi depois portado por Hermes/Mercúrio e foi a base para o símbolo astronômico do planeta Mercúrio e o sinal botânico para as plantas hermafroditas. O símbolo é agora usado às vezes pelas pessoas transgêneras.
![]() |
| Símbolos de Mercúrio (esq.) e da Terra (dir.) |
Rebis
O Rebis (do latim res bina, que significa "matéria dupla") é o produto final do magnum opus ("grande obra") da Alquimia.
![]() |
| Rebis, da Theoria Philosophiae Hermeticae (1617), por Heinrich Nollius |
A imagem do Rebis apareceu no trabalho "Azoth dos Filósofos", de Basil Valentine, em 1613.
Fontes: Androgyny e Rebis (em inglês)
Se você gostou desta matéria, deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe o link nas redes sociais. Ajude o site HOMOTHEOSIS a se manter vivo!






Nenhum comentário:
Postar um comentário