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| Hermafrodito Adormecido, Louvre, Paris (autor e século desconhecidos) |
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| Salmácis e Hermafrodito, de Jean Francois de Troy (séc. XVIII) |
O nome de Hermafrodito é a base para a palavra "hermafrodita".
Simbolismo
Hermafrodito, filho duo-sexuado de Afrodite e Hermes, tinha sido um símbolo de androginia ou efeminação e era retratado na arte greco-romana como uma figura feminina com genitais masculinos.
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| Hermafrodito como um dos Erotes numa pintura em cerâmica. A lebre representa desejo sexual. |
O nome de Hermafrodito é derivado dos seus pais Hermes e Afrodite. Todos os três deuses figuram largamente entre figuras eróticas e da fertilidade, e todos possuem conotações sexuais distintas. Às vezes Hermafrodito é referido como Afrodito. O deus fálico Priapo é filho de Hermes em algumas versões, bem como o jovem deus do desejo, Eros, é filho de Hermes e Afrodite segundo algumas fontes.
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| A Ninfa Salmácis, de François Joseph Bosio (1826) |
A versão de Ovídio relata que Hermafrodito foi criado por náiades nas cavernas do Monte Ida, uma montanha sagrada na Frígia (atual Turquia). Com a idade de quinze anos, ele cresceu entediado com seu entorno e viajou para as cidades da Lícia e da Cária. Foi nos bosques da Cária, perto de Halicarnasso (atual Bodrum, Turquia) que ele encontrou a ninfa Salmácis na lagoa que pertencia a ela. A ninfa foi tomada de desejo pelo rapaz, que era muito bonito, mas ainda jovem, e tentou seduzi-lo, mas foi rejeitada. Quando ele pensou que ela tinha ido embora, Hermafrodito despiu-se e entrou nas águas da lagoa vazia. Salmácis saltou de trás de uma árvore e pulou na água. Ela envolveu-se no corpo do rapaz, beijando-o à força e tocando seu peito. Enquanto ele lutava, ela clamou para que os deuses jamais os separassem. Seu desejo foi concedido, e seus corpos se misturaram em uma única forma, "uma criatura de ambos os sexos". Hermafrodito rezou a Hermes e Afrodite para que qualquer pessoa que se banhasse nessa lagoa seria transformada do mesmo jeito, e seu desejo foi concedido.
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| Salmácis e Hermafrodito, de Giovanni Antonio Pellegrini (séc. XVIII) |
Culto e adoração
Os vestígios mais antigos do culto no mundo grego encontram-se em Chipre. Aqui, de acordo com o autor romano Macróbio (Saturnália), havia uma estátua barbada de uma Afrodite masculina, chamada Afrodito por Aristófanes. Filócoro, em seu Atthis, também identifica esta divindade, em cujos sacrifícios homens e mulheres trocavam de roupa, com a Lua muda no céu. Uma placa de terracota do século VII AEC retratando Afrodito foi encontrada em Perachora (Grécia continental), que sugere ser um culto arcaico.
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| Hermafrodito, arte helenística |
Esta Afrodite Cípria masculina é o mesmo Hermafrodito de mais tarde, o que significa, simplesmente, que é Afrodito sob a forma de uma herma e primeiro ocorre em Caráteres de Teofrasto. Após a sua introdução em Atenas (provavelmente no século V AEC), a importância desta divindade parece ter diminuído. Ele já não aparece como objeto de um culto especial, mas limitado à homenagem de certas seitas, expressada por ritos supersticiosos de significado obscuro.
O autor Alcifrão menciona que havia em Atenas um templo de Hermafrodito. A passagem propõe que ele pode ser considerado como a divindade que presidia sobre as pessoas casadas; a união estrita entre marido e esposa sendo apropriadamente representada por uma divindade, que era masculina e feminina inseparavelmente misturada.
Literatura
As primeiras menções a Hermafrodito na literatura grega é pelo filósofo Teofrasto (século III AEC), em seu livro Os Caráteres, XVI O Homem Supersticioso, no qual ele retrata vários tipos de pessoas excêntricas.
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| Sátiro e Hermafrodito (século II) |
Hermafrodito, como ele tem sido chamado, que nasceu de Hermes e Afrodite e recebeu um nome que é uma combinação dos de seus pais. Alguns dizem que este Hermafrodito é um deus e aparece em determinados momentos entre os homens, e que ele nasceu com um corpo físico que é uma combinação do de um homem e do de uma mulher, em que ele tem um corpo que é bonito e delicado como o de uma mulher, mas tem a qualidade masculina e o vigor de um homem. Mas há alguns que declaram que tais criaturas de dois sexos são monstruosidades, e raramente vêm ao mundo, tendo a qualidade de pressagiar o futuro, às vezes para o mal e, por vezes, para o bem.
A narração completa de seu mito está nas Metamorfoses de Ovídio (século I), onde a ênfase é sobre os ardis femininos da lasciva ninfa da água Salmácis e o seu comprometimento da força viril de Hermafrodito, detalhando a timidez do rapaz e a união de seus corpos.
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| Sileno e Hermafrodito (de pênis ereto) com uma bacante. Afresco de Pompeia (século I) |
Na Antologia Palatina (do ano 980), há uma referência a uma escultura de Hermafrodito que foi colocada em um banho público aberto para ambos os sexos. Nela existe uma passagem em forma de diálogo, baseada no diálogo entre Hermafrodito e Sileno. O deus Sileno afirma que ele teve relações sexuais com Hermafrodito três vezes. Hermafrodito reclama e objeta o fato invocando Hermes em juramento, enquanto Sileno invoca Pan em prol da confiabilidade de suas alegações.
Fonte
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| Hermafrodito Adormecido (século II), Museo Palazzo Massimo Alle Terme, parte do Museu Nacional de Roma |










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