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| "Ovídio entre os Citas" (1862), de Eugène Delacroix |
Os gregos antigos, em sua expansão colonial, costumavam identificar as divindades estrangeiras como as suas próprias, de acordo com as características que servissem a essa identificação.
Assim, a deusa cita que eles identificaram com Afrodite Urânia (protetora do amor homossexual masculino, e isso merecerá um tópico especial aqui no blog) e que era adorada pelos sacerdotes enares era na verdade Argimpasa.
Os enares eram uma casta privilegiada de sacerdotes hereditários que desempenhavam um papel político importante na sociedade cita por acreditarem que eles tinham recebido o dom da profecia diretamente da deusa Argimpasa. O método empregado pelos enares diferia daquela praticada pelos adivinhos tradicionais dos citas: enquanto estes últimos usavam um feixe de varas de salgueiro, os enares usavam tiras cortadas da casca da árvore de tília para adivinhar o futuro. Os enares também vestiam-se com roupas de mulher, um costume que o historiador grego Heródoto entende como sendo refletido no título ena-rei, anotando isto como ἀνδρό-γυνοι (andro-gynoi, "andrógino") ou "homem-mulher".
Na pintura no início do post, que mostra um momento da vida em que o poeta romano Ovídio viveu entre os citas, podemos ter uma ideia de como eram alguns trajes femininos que os enares podem ter usado (possivelmente usassem algo mais pomposo do que essas vestes rústicas durante os rituais).
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